Lux-Imobiliária
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Casas novas à venda mais que duplicam em 5 anos - mas procura absorve
A nova construção tem vindo a dinamizar o mercado residencial em Portugal, uma tendência que mais do que duplicou a oferta de casas novas à venda nos últimos cinco anos, tal como mostram os dados mais recentes do idealista. Mas a construção de casas continua aquém das necessidades do país, que vive uma séria crise de falta de habitação a preços acessíveis. Isto porque não só a oferta de casas novas é rapidamente absorvida pela alta procura, como tende a apresentar preços mais elevados não estando ao alcance de qualquer família. Casas novas para comprar bem mais caras que as usadas Venda de casas novas volta a crescer e a absorver oferta Casas novas com ritmo de ritmo de licenciamento mais alto em 5 anos “Em 2025, a nova construção manteve um peso significativo na dinâmica do mercado habitacional em Portugal”, destaca o relatório anual do idealista sobre o mercado residencial português relativo ao ano passado. Os dados mostram que a oferta de casas novas disponíveis para vender chegou quase às 21.000 unidades no último trimestre de 2025, mais do dobro do stock registado cinco anos antes. Mas onde estão estes imóveis? “A atividade de nova construção concentra-se, sobretudo, nos principais mercados urbanos e turísticos do país”, refere ainda o documento. Lisboa e Porto representa quase 75% da oferta de casas novas à venda entre as grandes cidades portuguesas, seguida do Funchal (5,9%), Braga (3%), Faro (2,9%) e Setúbal (2,9%). Nas grandes cidades do interior, como Portalegre, Vila Real ou Guarda, é onde há menor peso desta oferta. Casas novas para comprar bem mais caras que as usadas Embora o stock de nova habitação esteja dinâmico, a verdade é que as casas novas para comprar tendem a ser bem mais caras do que as usadas, não estando ao alcance de qualquer família. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos ao verão de 2025 e incluídos nesta análise, revelam que as casas novas foram vendidas por um preço médio final 40% superior face ao valor das casas existentes. Estes elevados preços finais refletem um mercado onde as casas novas à venda são anunciadas a preços mais caros. “O valor unitário médio registado a nível nacional durante o último trimestre de 2025 situou-se nos 4.165 euros por metro quadrado (euros/m2)”, revela a análise do idealista. A nível geográfico, houve quatro grandes cidades superaram o preço médio nacional das casas novas à venda: Lisboa (7.574 euros/m2), Funchal (4.833 euros/m2), Porto (4.236 euros/m2) e Setúbal (4.198 euros/m2). Já as cidades que têm habitações novas para comprar a custos mais acessíveis são a Guarda (1.737 euros) e Portalegre (1.436 euros/m2). O elevado preço das casas novas anunciadas no mercado nacional pode ser explicado pela junção de múltiplos fatores que provocaram uma “tempestade perfeita” neste sentido. Hoje, os construtores e promotores imobiliários deparam-se com custos crescentes na construção (por via da mão de obra, que é escassa), altos custos dos terrenos urbanos, licenciamentos demorados e caros, a par dos elevados impostos, entre outros fatores. É precisamente para tentar resolver algumas destas questões que o Governo de Montenegro apresentou o pacote fiscal da habitação, que vem reduzir o IVA, de 23% para 6%, na construção de casas novas para vender até 660 mil euros (valor moderado já atualizado este ano). E quer ainda agilizar os licenciamentos urbanísticos com outro diploma. Estas propostas legislativas já passaram no crivo da comissão parlamentar e foram promulgadas pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esta segunda-feira (dia 2 de março).
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